MAURICIO BARBOSA
A investigação sobre a morte de Gabriel Marques Cavalheiro, 18 anos, pode ter novos desdobramentos nos próximos dias. Isso porque, em entrevista ao Bom dia, Cidade, da CDN, o delegado regional da Polícia Civil que preside o inquérito do caso, Luis Eduardo Benites, afirmou que após o interrogatório, uma reconstituição deve ser feita e, ainda, não é descartada a possibilidade de acareação.
A prática da acareação prevê um confronto entre as partes, ou seja, suspeitos, testemunhas ou envolvidos no processo são colocados frente a frente para esclarecer divergências nas suas declarações. Por enquanto, Benites reitera que isso é apenas uma possibilidade, que será avaliada posteriormente.
Na quarta-feira (24), seis policiais militares, que trabalhavam na noite do desaparecimento de Gabriel, prestaram depoimento. Nesta quinta-feira (25), a expectativa é que ocorra o depoimento da mulher que chamou a Brigada Militar (BM) na noite da abordagem.
Após esta etapa, uma reconstituição deve ser feita, ainda sem data definida para ocorrer. Também não há uma previsão para a conclusão do laudo da causa da morte do jovem.
Além deste inquérito da Polícia Civil, há uma investigação sendo feita pela Corregedoria da Brigada Militar, com sede em Porto Alegre.
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Delegado confirmou agressões de policiais
O delegado Benites ainda reforçou que as provas testemunhais e elementos circunstanciais colhidos pelo Judiciário indicam que, de fato, os policiais militares agrediram Gabriel:
– (A agressão) é um fato primordial porque dentro do contexto e da localização do corpo da vítima todos os elementos pressupõem que houve um crime de homicídio. Quando nós falamos isso, não estamos aqui acusando ninguém porque não somos promotores ou juízes e não estamos condenando ninguém. Isso são somente elementos que foram colhidos e que dão a entender a possibilidade de uma responsabilidade penal.
O delegado também pontuou que a polícia trabalha com a hipótese de homicídio doloso duplamente qualificado. Ele não especificou, porém, quais seriam as qualificadoras.
O caso
Gabriel Marques Cavalheiro, 18 anos, desapareceu por volta da meia-noite do último dia 12, no Bairro Independência, em São Gabriel. Segundo o relato de uma moradora, ela teria chamado a Brigada Militar (BM) após o jovem ter forçado a grade da casa dela e tentado entrar no local. Policiais foram até o endereço, abordaram, algemaram Gabriel e o colocaram no porta-malas da viatura. Depois disso, o jovem não foi mais visto.
Moradora registrou momento da abordagem dos policiais ao jovem. Foto: Divulgação
O corpo dele foi encontrado dia 19 de agosto, em uma barragem na região conhecida como Lava pé. Os três policiais (Arleu Júnior Cardoso Jacobsen, Cleber Renato Ramos de Lima e Raul Veras Pedroso) que abordaram o jovem foram presos na sexta-feira (19) a noite e estão no presídio militar em Porto Alegre desde então.
Laura Gomes, [email protected]
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